O objetivo deste blog é a troca de dicas, de idéias, de fotos, de conhecimento e muitas outras coisas relacionadas à vida de um nordestino - orgulhoso de ser nordestino - e que sem esperar se viu de mochila nas costas pelo Brasil e pelo mundo. Essas experiências de vida e de viagens vou dividir com você à partir de agora.



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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Cidade do Natal, capital do Rio Grande do Norte.

Em 11 de junho de 1599, na Capital da Paraíba, presentes os governadores de Pernambuco e Paraíba; lideres políticos, religiosos e militares de um lado e grandes chefes indígenas de outro concluem o nosso primeiro tratado de paz. As duas civilizações tão diferentes juram eterna amizade e cooperação num pacto que será constantemente desrespeitado pelos portugueses até a extinção dos nativos anos depois. Com esse tratado as desavenças e os ataques cessam temporariamente e os conquistadores partem para o interior. No Rio Grande, se começa a construir uma capelinha de taipa no alto de uma grande colina, do lado direito do Rio Potengi, légua e meia distante do Forte dos Reis. No dia de Natal de 1599, é inaugurada a igrejinha com missas solenes e demarcação da área onde seriam erguidas as primeiras casas. É aí onde começa a nossa querida e bela Natal, hoje com quase um milhão de habitantes e sonho de consumo de milhares de turistas do Brasil e do mundo! Belo destino para tão humilde começo!

Nas fotos abaixo, vistas atuais da cidade, do marco de fundação e da atual Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, erguida no local da antiga capelinha de taipa, sem portas e coberta de palha, onde nasceu a cidade em 25 de dezembro, dia do Natal, daí o nome: Cidade do Natal!



Nordestinês e outros termos: de "cabrocha" a "folote".

Cabrocha: mulata de cabelo carapinha ou encaracolado.

“Chamar – na - chincha”: apertar (uma mulher). Encostar à força um animal ao mourão para castração ou marcação. Dominar animal ou mulher pela força bruta. Sexo selvagem .

Caranguejeira: espécie de aranha; grande , escura e peluda. Monte de Vênus.

Cagão: medroso.

Catrevagem: bugiaria. Quinquilharia. Mudança de pobre.

Caninana: mulher feroz; venenosa no linguajar e nas ações. Cobra

Cafifa: piolho de galinha, pichilinga.

Cangulo: pessoa que tem pronação; maxilar inferior protuberante em relação ao superior.

Cabra: fêmea do bode. Mameluco. Pistoleiro. Sujeito perigoso.

Cangaço: carcaça de animal de porte médio ou grande (normalmente morto de fome, sede ou mordida de cobra). Esqueleto de pessoa insepulta.

Desembestado: sem controle. Desgovernado.

“Da pá virada”: que não segue normas de conduta. Amalucado. Doido.

“Dar de mamar à enxada”: Descansar fazendo “cera” escorado no cabo da enxada (que fica com a ponta do cabo sob axila).

Eca!: expressão de nojo.

‘Enfiar bufa em cordão”: não fazer nada, ócio.

Espinhela caída: distensão do tórax.

Estrovenga: coisa grande e desengonçada, mal-feita, mal-ajambrada, desconhecida. Pênis grande.

Espritado: menino danado, traquinas.

Encangar grilo: não fazer nada. Ócio

Fruta (fruita): homossexual.

Folote: frouxo.

Fortaleza dos Reis Magos, a estrela de Natal.

Durante o Período Colonial, a “conquista” de Pernambuco já estava consolidada e a da Paraíba em andamento; era o momento de continuar para o Norte e ocupar a Capitania do Rio Grande, onde comerciantes e corsários, principalmente franceses, negociavam e conviviam com os nativos potiguares. Cumprindo determinações reais, em 1598 uma expedição chefiada por Manuel de Mascarenhas Homem parte do Recife, chega ao Rio Grande, expulsa os franceses e após intermináveis combates com os nativos, inicia a defesa da região com a construção de uma fortaleza na foz do Rio Potengi. Começada no dia 6 de janeiro de 1598, a fortaleza recebeu o nome de Forte dos Santos Reis, depois mudado para Forte dos Reis Magos. Era uma construção de madeira, areia e barro, conhecida como pau-a-pique e seguia o projeto do frei Gaspar de Samperes. Posteriormente, em 1614, o engenheiro-mor Francisco Frias de Mesquita fez modificações no projeto original e reformas de vulto foram introduzidas na construção, transformando –a na bela obra que conhecemos hoje. A fortaleza foi palco de muitos acontecimentos importantes da História do Brasil, como a conquista do mesmo pelos holandeses, de 1633 até 1654 (período em que recebeu o nome de Castelo de Ceullen). Foi também prisão de figuras importantes, como André de Albuquerque Maranhão, Chefe da Junta Governativa que se instalou no Rio Grande durante a Revolução Republicana de 1817. Atualmente essa obra militar, uma das mais bonitas e bem conservadas do Brasil, é ponto de visita obrigatória de todos aqueles que visitam Natal, a bela capital do Rio Grande do Norte.

Bibliografia: Câmara Cascudo, “História da cidade do Natal”, Natal, IHG/RN, 1999. Tavares de Lyra, “ História do Rio Grande do Norte”, Natal, Editora Nordeste, 1998.

Abaixo: O Forte em uma gravura de Franz Post; numa fantasia pictórica de Gilles Peeters e em fotos atuais.